O Submerso – Túnel Santos-Guarujá foi escolhido como o projeto principal após um ano meticuloso de estudo. Essa intervenção pioneira representa a primeira obra de grande envergadura no Brasil, trazendo consigo uma revolução na travessia entre as cidades da Baixada Santista. Quando concluído, o túnel permitirá a passagem entre Santos e Guarujá em impressionantes 1 minuto e 42 segundos, a uma velocidade de 60 quilômetros por hora, conforme calculado pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), a entidade responsável pelo gerenciamento do projeto.

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Embora inédita no Brasil, a técnica de túnel submerso é amplamente empregada em mais de 150 construções em diversos países, notadamente na Holanda, que possui 27 passagens submersas devido à sua condição abaixo do nível do mar. A experiência holandesa será incorporada ao projeto através da consultoria da renomada empresa Haskoning Nederlan B.V., permitindo uma valiosa transferência de tecnologia para os engenheiros brasileiros.

O engenheiro civil Estanislau Marcka, coordenador do projeto, revelou que a escolha pelo Submerso foi uma resposta às restrições aéreas e hidroviárias da região, além de considerar criteriosamente impactos ambientais e viabilidade econômica. Durante um ano de estudo, foram analisadas sete alternativas locacionais e treze projetos existentes, levando em conta diferentes possibilidades de pontes e túneis.

O ponto de construção foi determinado após um minucioso levantamento, escolhendo a união entre o Cais de Outerinhos, no bairro do Macuco, em Santos, e o Linhão da Codesp, no bairro de Vicente de Carvalho, no Guarujá. Esse posicionamento estratégico foi baseado em 7.500 entrevistas, abrangendo origens e destinos do tráfego, impacto no tempo de transporte, preservação do patrimônio histórico, e a parcela do tráfego atualmente atendida pela balsa.

Estanislau destacou que o túnel atrairá aproximadamente 70% do tráfego atualmente atendido pela balsa, a qual atende 20 mil carros por dia e, após a conclusão do Submerso, deverá atender cerca de seis mil carros diariamente. Após a definição do local, estudos detalhados foram conduzidos para determinar os aspectos construtivos, considerando a inviabilidade de uma ponte com vão suficiente para não prejudicar a navegação, bem como as condições do solo. A opção submersa surgiu como a escolha mais sensata, evitando custos adicionais decorrentes da distância até o leito rochoso que duplicaria o custo da obra em um túnel tradicional.

O orçamento total do empreendimento é estimado em R$ 2,4 bilhões, sendo 20% financiado pelo Tesouro do Estado e os restantes 80% provenientes de entidades nacionais e internacionais. O Submerso terá uma extensão de 762 metros, 950 metros de rampas e aproximadamente 4,5 km de obras viárias em superfície e em viadutos.

O túnel contará com três faixas de rolamento por sentido e uma área dedicada exclusivamente à circulação de pedestres e ciclistas. Atualmente, a ligação entre Santos e Guarujá é realizada pela rodovia Cônego Domenico Rangoni (SP-055), com extensão de 43 km, e pelas balsas das Travessias Litorâneas da Dersa.

Reportagem: Silvano Saldanha/JN LIBERTTI

FONTE: Governo de São Paulo

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